O livro Vidas Desperdiçadas
nasce dos questionamentos de Bauman acerca do mundo moderno e das consequências
do consumismo desenfreado, o autor afirma que o mundo está “cheio” de pessoas e
de coisas.
O capítulo dois,
denominado “Serão Eles Demasiados? Ou o refugo do progresso humano” começa com
a discussão sobre a superpopulação. O autor inicia afirmando “Sempre há um
número demasiado deles. “Eles” são os
sujeitos dos quais devia haver menos -
ou, melhor ainda, nenhum. E nunca há um número suficiente de nós. “Nós”
são as pessoas das quais devia haver mais”. A seguir, o autor discorre sobre o
crescimento populacional que põe em risco nossa existência por falta de
alimentos suficientes (Teoria Malthuseana, 1978). A modernidade, no entanto,
refuta essa teoria alegando que, através da ciência e da técnica, seriam
encontradas as soluções para todos os problemas. Para a sociedade moderna “a terapia para o
excesso de população era mais população”, a felicidade é alcançada pelo poder
humano, representado pelo maior número de pessoas (trabalhadores e soldados). O
autor alerta que para as nações mais ricas era lucrativo serem superpopuladas,
porém as nações pobres deveriam ser controladas para que não fossem criados
grandes números “deles”. O autor chega a mencionar a AIDS como aliada dos
países ricos dizendo que, deliberadamente, foram negados esforços de ajuda no
tratamento e prevenção da AIDS em alguns países para que sua densidade
demográfica diminuísse.
Para Bauman,
superpopulação é um conceito maior do que apenas o número de habitantes em um
país, ele o define como “um codinome para a aparição de um número de pessoas
que, em vez de ajudarem a economia a funcionar com tranquilidade, tornam muito
mais difícil a obtenção [...] dos índices pelos quais se mede e avalia o
funcionamento adequado” da economia. Essas seriam as pessoas que não poderiam
ser empregadas e não poderiam consumir. Numa sociedade de consumidores, elas
são denominadas “consumidores falhos”. Os consumidores são aqueles que mantêm a
sociedade enquanto que os consumidores falhos apenas lhe trazem custos.
O autor também aponta
que o termo superpopulado é utilizado para países com densidade demográfica
menor do que a de outros países que não são considerados superpopulados, isso
porque “o grau de superpopulação deve ser medido como referência ao número de
pessoas a serem sustentadas pelos recursos que determinado país possui e pela
capacidade do meio local de manter a vida humana”.
Ainda neste capítulo,
Zygmunt faz referência ao termo apresentado no primeiro capítulo o “refugo
humano”, apresentando a “população excedente” como mais uma variedade desse
conceito. São pessoas à margem do sistema, consideradas pelo autor como baixas colaterais
do progresso econômico, esses “corpos supérfluos” que estão fora do sistema
funcional deixam de ter voz e perdem espaço na sociedade.
Momentaneamente o autor
afasta-se do tema superpopulação para relatar o “medo cósmico”, uma emoção
humana, o horror do desconhecido, da incerteza. A vulnerabilidade e a
incerteza, são duas características do ser humano e a partir delas molda-se o
“medo oficial” que é o medo do poder humano, do poder criado e manipulado pelo
homem. O medo e a insegurança são armas do poder político para a manutenção do controle.
Não é à toa que os imigrantes e os recém-chegados são vistos com desconfiança,
uma estratégia do Estado como forma de controle do poder.
Bauman permanece
descrevendo “razões úteis” para a existência de refugo humano na manutenção da
atual sociedade, onde “nós” os consumidores não estamos dispostos a cuidar de “nossos”
lixos e pagamos valores ínfimos para aqueles que sujam suas mãos com nossos
dejetos.
No próximo post conheça a relação entre este capítulo e a obra completa!
No próximo post conheça a relação entre este capítulo e a obra completa!
Arrasô!
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