quinta-feira, 18 de junho de 2015

A relação do Capítulo Dois “Serão Eles Demasiados? Ou o refugo do progresso humano” com a obra completa.

No primeiro capítulo o autor apresenta alguns conceitos que serão fundamentais à compreensão da obra, nos capítulos seguintes, sempre dando ênfase ao conceito de “refugo humano”, o autor apresenta suas reflexões.

O terceiro capítulo está relacionado ao segundo através da questão do medo da população dirigido aos estranhos que vivem à margem do sistema, mas que agora não estão apenas nas periferias. O autor volta a dizer que o planeta está cheio e no limite máximo, não existe mais espaço para escoar dejetos humanos e nem materiais. Bauman afirma que as prisões configuram-se como parte dos instrumentos de depósito de dejetos humanos. No capítulo dois o autor fala da reciclagem dos dejetos humanos, no capítulo três ele afirma que não é mais possível reciclar, pois não há mais espaços onde colocar.

No final do capítulo três o autor ainda aponta o fato de que os sentimentos que aparecem nessa sociedade são desconfiança, suspeita e medo, fazem com que os vínculos também sejam refugos, tornando as relações mais voláteis.

No capítulo quatro Zygmunt analisa os valores da modernidade, relacionando o consumo à beleza, relatando que a perfeição é um dos objetivos perseguidos pela sociedade moderna, porém como o não é perfeito vive no plano das ideias, à frente de seu tempo, a perfeição ainda precisa ser alcançada. O autor atribui a esses valores os sentimentos de insegurança e incerteza que também são citados no capítulo dois.

Ainda no capítulo quatro o autor retoma a questão de que “somos consumidores numa sociedade de consumidores” e, assim como trocamos de carro quando esse não nos contenta mais, trocamos de relacionamentos. Bauman exemplifica, relatando que alguns contratos de casamento preveem cláusulas que visam formalizar o que acontecerá quando essa relação virar um refugo.

Em Vidas Desperdiçadas, o autor nos convida a refletir sobre o triste caminho da sociedade ao redor do planeta, caminho que nos leva a excluir automaticamente ao mesmo tempo em que nos obriga a viver o convívio social de maneira intensa.

Mídias relacionadas ao livro!

Seis anos após o lançamento do livro “Vidas Desperdiçadas” o autor Zygmunt Bauman reafirma em entrevista para o jornal La Repubblica suas constatações ao afirmar que tanto na época do lançamento, quanto naquele ano (2011), a superpopulação e o consumismo exacerbado afetam diretamente o modo de vida na Terra.O texto aborda ainda o paradoxo entre os países ricos e pobres e o peso desta relação. Confira:
Apesar de ter sido escrito há 10 anos, o livro “Vidas desperdiçadas” aborda temas bem atuais e relevantes. Prova disso é a questão da migração e refugiados. O site da Onu publicou recentemente que mais de 100 mil migrantes chegaram à Europa através do Mediterrâneo em 2015. Parece absurdo? Na matéria você ainda confere quais os países que recebem a maioria destes refugiados.
Saiba mais: 

O vídeo apresenta dados da população no ano de 2012 e afirma que o número de habitantes é o dobro do total da população no ano de 1967. E questiona: “E se a população de novo duplicasse, mas de repente?” E mostra inúmeros problemas que isso poderia trazer para todo o planeta. Por isso, a equipe do blog Educa Tics UFES convida você, amigo leitor, a assisti-lo e refletir sobre o tema.


A seguir, duas reportagens do site Gazeta do Povo:

A primeira traz o ocorrido no último dia 12 em que autoridades australianas pagaram aos membros de uma tripulação uma quantia de R$ 12 mil (cada) para impedir que uma embarcação com imigrantes ilegais atracasse na costa do país, enviando-a para a Indonésia.


A segunda, mostra acampamentos improvisados por imigrantes na Itália. Veja:


Boa leitura a todos e não esqueçam de comentar!



"Nós" e "Eles"

Bauman ao fazer sua leitura de mundo, deixa claro a vulnerabilidade e a pequenez do Ser humano na condição deste Estar num mundo controlado e manipulado pelo que dele se produz e se consome, não importando se produzimos e consumimos mesmo que de forma volátil ou supérflua, desde que consumamos. Para e pelo processo de consumir, produzimos e/ou trazemos à tona refugos, lixo ou escória (seja de matérias sólida ou de humanidade). 

Para que o mais valioso se destaque pelo processo de purificação, gera-se uma enorme quantidade de indesejados e indesejáveis às margens do processo. Precisa-se controlar o “eles” para que o “nós” se suplante. O capital se alimenta do “refugo” e o espalha, o reproduz, e ao mesmo tempo o controla em seus espaços já pré-ordenados ou os descarta em algum lugar do mundo. Descarta-o da mesma forma que o produz.  Neste processo, não se compraz do valor humano do Ser. Quando o “sólido se desfaz no ar” (Marx) e a liquidez do processo se instala, só os mais flexíveis, adaptáveis se estabelecem. A modernidade é utópica e massacrante com os que a produzem. Insegurança, depressão, medo, impossibilidades, contenções, etc. alimentam uma superpopulação de “indesejáveis”.


Falar da modernidade ou de modernidade tem muitos vieses. Pode-se falar de vários pontos de vista, há o dos que a enaltecem, os “nós” e o dos que dela padecem, o “deles” (excluídos, descartáveis, refugos, lixo da modernidade, só que o destes não é relevante). A grande preocupação de Bauman é o que há de ser da humanidade, após tanto esforço para se modernizar, libertar-se de amarras de ditaduras que sufocaram as ideias e as ideologias por séculos, e parecia que a modernidade traria uma estabilidade social, estas se desfizeram e se desfazem mais rápido que se possa pensar sobre as realidades postas e impostas e absorvidas por uma população cada vez mais fragmentada e isolada neste processo de modernização sem controle.

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O Capítulo Dois: "Serão Eles Demasiados? Ou o refugo do progresso humano"

O livro Vidas Desperdiçadas nasce dos questionamentos de Bauman acerca do mundo moderno e das consequências do consumismo desenfreado, o autor afirma que o mundo está “cheio” de pessoas e de coisas.

O capítulo dois, denominado “Serão Eles Demasiados? Ou o refugo do progresso humano” começa com a discussão sobre a superpopulação. O autor inicia afirmando “Sempre há um número demasiado deles. “Eles” são os sujeitos dos quais devia haver menos -  ou, melhor ainda, nenhum. E nunca há um número suficiente de nós. “Nós” são as pessoas das quais devia haver mais”. A seguir, o autor discorre sobre o crescimento populacional que põe em risco nossa existência por falta de alimentos suficientes (Teoria Malthuseana, 1978). A modernidade, no entanto, refuta essa teoria alegando que, através da ciência e da técnica, seriam encontradas as soluções para todos os problemas.  Para a sociedade moderna “a terapia para o excesso de população era mais população”, a felicidade é alcançada pelo poder humano, representado pelo maior número de pessoas (trabalhadores e soldados). O autor alerta que para as nações mais ricas era lucrativo serem superpopuladas, porém as nações pobres deveriam ser controladas para que não fossem criados grandes números “deles”. O autor chega a mencionar a AIDS como aliada dos países ricos dizendo que, deliberadamente, foram negados esforços de ajuda no tratamento e prevenção da AIDS em alguns países para que sua densidade demográfica diminuísse.

Para Bauman, superpopulação é um conceito maior do que apenas o número de habitantes em um país, ele o define como “um codinome para a aparição de um número de pessoas que, em vez de ajudarem a economia a funcionar com tranquilidade, tornam muito mais difícil a obtenção [...] dos índices pelos quais se mede e avalia o funcionamento adequado” da economia. Essas seriam as pessoas que não poderiam ser empregadas e não poderiam consumir. Numa sociedade de consumidores, elas são denominadas “consumidores falhos”. Os consumidores são aqueles que mantêm a sociedade enquanto que os consumidores falhos apenas lhe trazem custos.

O autor também aponta que o termo superpopulado é utilizado para países com densidade demográfica menor do que a de outros países que não são considerados superpopulados, isso porque “o grau de superpopulação deve ser medido como referência ao número de pessoas a serem sustentadas pelos recursos que determinado país possui e pela capacidade do meio local de manter a vida humana”.

Ainda neste capítulo, Zygmunt faz referência ao termo apresentado no primeiro capítulo o “refugo humano”, apresentando a “população excedente” como mais uma variedade desse conceito. São pessoas à margem do sistema, consideradas pelo autor como baixas colaterais do progresso econômico, esses “corpos supérfluos” que estão fora do sistema funcional deixam de ter voz e perdem espaço na sociedade.

Momentaneamente o autor afasta-se do tema superpopulação para relatar o “medo cósmico”, uma emoção humana, o horror do desconhecido, da incerteza. A vulnerabilidade e a incerteza, são duas características do ser humano e a partir delas molda-se o “medo oficial” que é o medo do poder humano, do poder criado e manipulado pelo homem. O medo e a insegurança são armas do poder político para a manutenção do controle. Não é à toa que os imigrantes e os recém-chegados são vistos com desconfiança, uma estratégia do Estado como forma de controle do poder.

Bauman permanece descrevendo “razões úteis” para a existência de refugo humano na manutenção da atual sociedade, onde “nós” os consumidores não estamos dispostos a cuidar de “nossos” lixos e pagamos valores ínfimos para aqueles que sujam suas mãos com nossos dejetos. 

No próximo post conheça a relação entre este capítulo e a obra completa!

Vidas Desperdiçadas

Lançado no Brasil em 2005 pela editora Zahar, o livro Vidas Desperdiçadas foi escrito por Zygmunt Bauman. Nele, o autor apresenta suas reflexões e questionamentos no que tange as formas de viver no mundo moderno e as consequências geradas no seio da sociedade capitalista pelo consumismo desenfreado, que implicam numa série de efeitos na vida humana. 
Neste blog, apresentaremos a relação do capítulo dois - "Serão Eles Demasiados? Ou o refugo do progresso humano” – com os demais capítulos da obra de Bauman. Assim, no primeiro capítulo o autor exibe alguns conceitos que serão fundamentais à compreensão da totalidade da obra. 
O segundo capítulo, abarca discussões sobre a superpopulação, no qual o autor afirma que a superpopulação em países ricos, é “importante” por que gera lucro, mantendo a economia da nação sempre em alta. Porém, nos países pobres, a superpopulação é um grande problema, pois falta recursos disponíveis para sustentar esse contingente de indivíduos. 
No terceiro capítulo, as políticas governamentais voltam-se para uma política de exclusão. As prisões representam o depósito de dejetos humanos, que antes pensava-se em reciclar.  Agora, porém, não é mais possível, visto que, não há mais espaços para depositar esses dejetos humanos. 
No quarto e último capítulo, o autor apresenta-nos a “Cultura do Lixo”, ou seja, a cultura do ser humano em produzir e consumir desenfreadamente. Bauman destaca que, “somos consumidores numa sociedade de consumidores”, desse modo, as pessoas tornam-se escravas do consumo indisciplinado. Desse modo, gera-se lixo humano e lixo industrial fruto do material consumido.
Clique nas próximas abas, conheça mais o livro e deixe seus comentários! Seja Bem vindo!

Avaliação

Nosso Blog (Autoavaliação):

Avaliamos nosso trabalho como excelente, pois criamos um blog que, além de trazer as informações solicitadas pela professora sobre o livro, tem o intuito de levar aos que o acessarem a refletir não apenas sobre essas questões, mas seus desdobramentos no cotidiano.
Buscamos ainda total coerência entre as postagens, associando-as todo tempo não apenas ao capítulo do livro proposto para o nosso grupo, como em sua totalidade, tendo a preocupação de que todas as postagens remetam ao tema principal, de forma clara e de fácil entendimento.

Blotic:

Consideramos o blog BLOTIC sucinto e de acordo com a proposta do seminário, nas abas de direcionamento foram abordadas todas as questões solicitadas, de maneira clara e bem estruturada.
Os conceitos foram explicados de modo a serem compreendidos com facilidade por qualquer pessoa que tenha acesso ao blog, independente de ter conhecimento prévio sobre o livro “Vidas Desperdiçadas” ou não.

Tecnologia e Educação:

O blog Tecnologia e Educação, faz sua abordagem de forma distinta, ainda assim é tão bem articulado quanto o Blotic. Os textos foram bem escritos e trazem informações que agregam conhecimento sobre a obra de Bauman, bem como as inquietações que ela traz.
Achamos relevante o fato do tema Depressão, muito bem exposto por Bauman, ter sido apresentado no blog de uma forma sensível, sem se distanciar da seriedade e gravidade abordadas no livro e tão presentes na atualidade.